
Uma Entrevista com Adrian Ross Duncan
por Garry Phillipson, gravada em 13 de março de 1999
P: Quais são as suas principais áreas de interesse na astrologia?
R: Interesso-me praticamente por todos os campos da astrologia — e, especialmente, por integrar esses campos. Em particular, a ideia de que a astrologia horária é algo separado da astrologia psicológica não faz sentido para mim. Não vejo essa divisão. Então, interesso-me por transformar a forma como as pessoas encaram isso. Mas, acima de tudo, o meu foco é gerar mudança no cliente: desenvolver técnicas que valorizem os seus recursos internos, a sua capacidade de transformação e a sua habilidade de influenciar a própria vida.
P: Sei que tem um envolvimento profundo com o budismo. Até que ponto a filosofia budista influencia a sua forma de atender um cliente?
R: Passei muito tempo a tentar unir a astrologia com a visão budista, especialmente no que diz respeito à percepção da realidade. Hoje sinto-me bastante seguro, com uma base filosófica sólida e inabalável para a eficácia da astrologia. Ter essa base é fundamental. Acredito que, no fim das contas, a capacidade de promover transformação está directamente ligada à forma como percebemos a realidade. Nesse sentido, o budismo teve uma influência profunda nas técnicas de transformação que desenvolvi, especialmente no trabalho com a energia dos planetas.
P: Quando faz uma consulta hoje, quais influências estão presentes na sua abordagem?
R: A questão é que tento evitar ser influenciado directamente por outras pessoas. Claro que todos somos influenciados pelos grandes astrólogos… mas, para mim, a influência mais profunda veio das pessoas que passaram pela minha escola ao longo de sete anos — e dos próprios clientes. Acho que há uma influência budista muito mais forte do que astrológica. Isso vem do conjunto de experiências que vivi; sinceramente, nem saberia dizer exactamente de onde vêm as influências, além disso.
P: Como entrou em contacto com a astrologia pela primeira vez?
R: Foi tudo meio ao contrário. Estava na Índia, em 1970, envolvido com a cultura das drogas, quando muita gente viajava para lá. Por conta do uso de drogas, tive uma experiência muito intensa com a influência dos planetas externos — Urano, Neptuno e Plutão. Foi tão forte que parei completamente de usar drogas, e nunca mais voltei. Foi uma percepção extremamente poderosa da Era de Aquário. Então comecei "de trás para a frente": o primeiro planeta que reconheci na minha consciência foi Plutão, depois Neptuno, depois Urano — como forças vivas e tangíveis na realidade material. Foi uma experiência impressionante. A partir disso, comecei a tentar aprender astrologia. O processo foi lento. Aprendi, mas não era muito bom. Depois de dez anos, mudei-me para a Dinamarca. Algo curioso aconteceu: é muito difícil encontrar imóveis lá, mas achámos uma casa para alugar num anúncio de jornal. Conseguimos a casa e, por coincidência, quem havia acabado de sair era o presidente da Sociedade Astrológica Dinamarquesa — cargo que eu mesmo viria a ocupar cinco anos depois. Em cada etapa da minha jornada astrológica havia um forte senso de destino. Era reconfortante sentir que estava a ser conduzido.
P: Essa experiência com Plutão — estava conscientemente a pensar em Plutão enquanto vivia isso, ou foi uma interpretação posterior?
R: Na verdade, estava em Délhi quando encontrei o livro Astrology for All, de Alan Leo. Não tenho certeza se comprei ou se acabei por pegar de uma pilha de livros na rua — sinceramente, não me lembro. Mas foi um presente envenenado, porque fiquei completamente fascinado. Li o livro avidamente e, todas as noites, sentava-me no telhado da casa em Délhi para observar as estrelas. Numa dessas noites, vivi o que só posso descrever como um "nascer de Plutão".
P: Se fosse criar uma escola para ensinar astrologia, como faria isso? O que enfatizaria?
R: Tive uma escola por sete anos. Hoje, não criaria outra, porque sinto que já vivi toda a experiência que precisava viver. Estaria apenas a repetir ciclos. Foi algo profundamente enriquecedor, e faria exactamente da mesma forma hoje: de maneira totalmente experiencial. Não ensinando teorias abstractas sobre como os planetas funcionam, mas evocando a experiência viva dos planetas através dos relatos das pessoas presentes. Esse é o jeito mais interessante de ensinar — ninguém fica entediado, ninguém se cansa, todos se inspiram, e o professor aprende o tempo todo. Apenas transmitir conhecimento teórico é necessário até certo ponto, mas a longo prazo seria exaustivo para mim. O que eu buscava era esse processo contínuo de descoberta, usando técnicas de entrevista. Por exemplo, ao descrever Marte em aspecto com Saturno, qualquer pessoa que tenha esse aspecto passa a relatar a própria experiência. Fica cristalino para todos — e impossível de ser algo inventado. Gosto de ver a astrologia sendo comprovada o tempo todo, através do testemunho das pessoas. Esse é o fundamento do meu método de ensino: a experiência.
P: Então é importante que cada pessoa "reinvente" a astrologia dentro de si mesma?
R: Sim, caso contrário ela nunca será realmente boa nisso. Mesmo pessoas que estudam astrologia muitas vezes não acreditam de verdade que ela funciona. Elas não percebem o quanto ela funciona. Eu gosto de mostrar que ela está a funcionar o tempo todo, sem nunca parar.
P: Um texto do seu site diz algo como: "o astrólogo que deixa de lado as dúvidas sobre sua eficácia e abraça a hipótese de todo o coração é recompensado por este universo inteligente… é da natureza das coisas que os eventos confirmem as convicções". Vejo aí uma influência budista — e parece que está a falar de fé: fé no universo, fé nas próprias intenções.
R: Não sei se usaria a palavra "fé". Acho que "convicção" é mais adequado, porque fé pressupõe um salto. E eu não acho que exista salto algum ao observar como a astrologia funciona.
P: Entendo — fé pode sugerir "não saber", enquanto aqui estamos a falar da ausência de dúvida.
R: Exactamente. Quanto mais dúvida, menos eficaz o processo. Não que eu seja contra a dúvida — pelo contrário. Incentivo muito o cepticismo no ensino. Quero que as pessoas perguntem: "Isso funciona mesmo?". E então tenham uma experiência concreta e digam: "Sim, funciona".
P: Até que ponto ir com essa convicção é saudável? Existe um limite — como alguém que acredita que pode voar e se joga de um prédio. É preciso cooperar com as leis da natureza.
R: Não posso responder isso de forma geral. O que digo é: se tem a convicção de que a astrologia é uma representação válida da realidade e se entrega a isso 100%, será recompensado com uma compreensão profunda do que está a acontecer em qualquer momento do tempo. Até onde ir? Eu perguntaria: isso enriquece a experiência? Isso é benéfico para si e para os outros? Se for, por que não seguir? O verdadeiro teste é a experiência do cliente. Gosto muito da ideia da PNL de que o significado da comunicação é a resposta que recebe. Não adianta dizer algo correcto se a pessoa não entende. O que importa não é estar certo, mas ser compreendido. Para mim, ensinar é isso: a pessoa entendeu ou não? Se não entendeu, precisa dizer de outra forma.
P: Como divide hoje o seu tempo dedicado à astrologia?
R: Isso mudou bastante. Hoje sou um "astrólogo empresário"! Talvez dê para dividir em ciclos de sete anos. De 1972 a 1979 foi o meu período solitário — não conhecia outros astrólogos, lia alguns livros, praticava. De 1983 a 1990 comecei a atender clientes, ensinar à noite, foi uma fase de expansão e também de dificuldades. De 1990 a 1997 tive a minha escola de astrologia e muitos clientes. Foi um período idílico. Cada consulta era como uma pérola para mim. Nunca me entediei. Nos anos 90 desenvolvi alguns softwares, e isso acabou por tomar conta da minha vida — algo difícil de aceitar no começo. Hoje aceitei como parte da minha evolução. Atendo intensamente uma semana a cada dois meses — cerca de quinze clientes — o que amo profundamente. É uma experiência meditativa. O resto do tempo dedico à organização e distribuição de software, como uma forma de levar a astrologia a pessoas que nunca tiveram contacto com ela.
P: O que aprendeu ao desenvolver os programas WOW e com o retorno dos usuários?
R: Aprendi muito sobre negócios. Mas, mais do que isso, reflito se tudo isso está alinhado com a minha visão de futuro para a astrologia. Acredito que ela oferece uma visão ecológica, benéfica e profunda da existência. Por isso, quanto mais pessoas tiverem acesso a ela, melhor. Para mim, é essencial criar softwares inclusivos, acessíveis, não elitistas e suaves — porque as pessoas ficam nervosas com astrologia. E sim, ela está a integrar-se cada vez mais à sociedade. Isso é maravilhoso de ver.
P: Falando em softwares "suaves", alguns astrólogos me contaram sobre clientes que ficaram abalados após ler interpretações computadorizadas, achando que seus mapas os condenavam. Imagino que tente ser sempre positivo.
R: Não sei se sempre consigo… alguns clientes provavelmente diriam: "Foi pesado demais". Mas tentei mudar isso ao longo dos anos. Muitos astrólogos focam nas áreas difíceis do mapa porque isso gera uma reação forte. O cliente confirma, surgem temas profundos, e parece que algo importante está a ser feito. Mas comecei a questionar isso. Ficar apenas a remexer em experiências difíceis nem sempre ajuda — às vezes enfraquece. Descobri o poder incrível dos aspectos positivos, algo muitas vezes negligenciado no ensino moderno. Quando fala de um aspecto harmonioso, as pessoas bocejam e dizem: "Fala das coisas pesadas". Mas existem formas de mostrar que um bom aspecto é pura alegria, puro bem-estar. Isso não dá para fazer apenas com um texto de computador — isso acontece de verdade numa consulta.
P: Quando fala de aspectos positivos, refere-se a trígonos e sextis?
R: Sim, trígonos, sextis, planetas bem posicionados, como Vénus em Touro ou Júpiter em Câncer. São verdadeiros reservatórios de energia de bem-estar. É muito melhor investir neles do que nos buracos profundos do trauma. Como disse Bill Clinton certa vez: "Não há nada de errado com a América que o que há de certo nela não possa resolver". O mesmo vale para qualquer mapa astral: não há nada de errado que um bom aspecto não ofereça os recursos para superar.
P: Teria um exemplo prático desse tipo de abordagem em ação?
R: Ah, sim — tenho muitos exemplos. A questão é que, quando trabalha com isso de um jeito realmente bem-sucedido como astrólogo, sente exactamente a mesma energia que a pessoa está a sentir — caso contrário, simplesmente não funciona. Então, acaba por viver experiências maravilhosas. Trabalhar com as energias positivas do mapa é uma questão de sintonia total. Vou dar um exemplo: lembro-me de uma pessoa com conjunção Sol–Plutão em Virgem. O pai dela morreu quando ela tinha doze anos e, no fundo, ela nunca conseguiu atravessar essa dor. Ela já tinha feito terapia. Chegou vestida toda de preto. Era uma mulher muito bonita e moderna; roupas pretas superestilosas. Preto — completamente preto — sem nenhuma pausa, nada que aliviasse. Isso mostra alguém que sente que não tem recursos internos. Quando alguém vem inteiramente de preto, está a absorver toda a luz. Ficava claro que ela se percebia sem força. Só que ela tinha um Mercúrio–Urano maravilhoso, em signo de fogo, na 3ª casa, em trígono com Júpiter. E aí apareceu a história: todas as noites o pai lia para ela uma história emocionante (então tem a 3ª casa, Mercúrio — e uma história de aventura, daí Urano). Ele sempre parava antes do fim, e ela ficava ansiosa pelo dia seguinte, mal podia esperar para ir dormir e ouvir o resto. Esse era um estado energético em que ela vivia com frequência: uma alegria borbulhante, um entusiasmo vivo. Quando a fiz lembrar dessas experiências com o pai, isso foi suficiente para transformar completamente a energia do Sol–Plutão. Seis meses depois, ela estava livre disso.
P: E ela começou a fazer coisas por conta própria que expressassem essa energia do trígono?
R: Fiz um trabalho específico na consulta, num nível bem básico de energia. Trabalhando com a energia do trígono e com a energia da conjunção Sol–Plutão, literalmente movi aquilo. Fiz com que ela visualizasse essa energia como luz e deixasse essa luz preencher o ser dela. Isso foi tudo o que foi necessário. Ela não precisou treinar nada depois, nem seguir um método rígido; aconteceu de forma natural. E sei disso porque a conjunção Sol–Plutão deixava nela uma ansiedade enorme de perder o parceiro. Então, sempre que ela se apaixonava, imediatamente se sentia mal. Mas quando falei com ela seis meses depois, ela tinha atravessado completamente aquilo e já não sentia mais essa angústia.
P: E quanto aos aspectos difíceis — vê essas energias como algo que pode ser virado e usado de forma construtiva?
R: Com certeza. Esse é o próximo estágio, porque acho importante dominar primeiro os aspectos positivos antes de trabalhar com os negativos. Assim, sempre tem um lugar seguro para retornar quando estiver a lidar com o que é mais pesado. Porque, quando mexe de verdade com energias difíceis no mapa de alguém, em algum momento a pessoa vai se sentir mal — isso faz parte. A ideia de que "aspectos ruins são bons" é, sinceramente, bobagem. Eles podem ser "bons" no sentido de que atravessa aquilo, aprende a mudar, pode usar de um jeito útil, e por aí vai… mas a experiência básica de um aspecto difícil, no começo, tende a ser negativa. E, onde isso aconteceu, existe uma ferida. Até um aspecto "pequeno", como Mercúrio em quadratura com Marte, provavelmente aponta algo como rivalidade entre irmãos, algo que doeu de verdade. O problema é que muita gente não aceita que tem um padrão de comportamento problemático — e vai ter algum, se tiver um aspecto difícil, a não ser que já tenha trabalhado nisso e transformado algo. Então, às vezes, precisa descrever primeiro esse padrão. Não consegue trabalhar um aspecto difícil enquanto a pessoa não aceita que aquilo existe. Muitas vezes ela acha que é problema do outro, então ainda não assumiu. Precisa chegar naquele ponto de aceitação total — meio constrangida, sim — mas honesta: "Sim, eu faço isso." Chegar nesse lugar é uma experiência linda, porque quando alguém reconhece um padrão que até envergonha e assume aquilo, a consulta chega num ponto em que a pessoa diz: "Meu Deus… então é isso que eu faço?" E aí vem a pergunta: "O que eu posso fazer a respeito?" Antes desse momento, não dá para fazer nada. Depois que ela diz isso, dá para fazer muita coisa.
Preciso dizer: descobrir como ajudar as pessoas a mudarem comportamento assim… nunca imaginei que chegaria a esse ponto. Durante anos, diagnosticava os problemas — e pronto. As pessoas reconheciam e diziam "ai, não!" e ficava só no "hmm… então não faça isso". A astrologia é uma ferramenta diagnóstica fantástica, mas, pelo que sei, ainda se desenvolveu pouco como ferramenta de cura. É por isso que adoro artigos como "Talismans" no AA Journal (Vol 40 No 3, maio/junho de 1998), do Ilia Durovic, que descreve coisas que pode usar e que canalizam a energia planetária de um jeito ou de outro. Na astrologia indiana também existem remédios: sempre há um exercício de yoga ou uma prática de mantra como caminho de ajuste. Na astrologia ocidental, existe muita força diagnóstica e poucos recursos de reparo. Nos últimos cinco anos, venho desenvolvendo técnicas que considero eficazes para transformar a energia de aspectos difíceis — e especialmente nos últimos três anos, quando fiz um curso de psicologia budista em Bruxelas, que trabalhava exactamente com técnicas de transformação. Mas é uma área mais delicada.
Se não quiser ir tão fundo, só trabalhar os bons aspectos e usá-los como recurso para ganhar uma nova perspectiva sobre os pontos problemáticos já é uma técnica boa e efectiva. Hoje, de qualquer forma, aprendi uma série de métodos que considero realmente eficazes — e aprendíveis. Na minha opinião, não precisa passar dez anos em terapia. Importo-me muito em desenvolver ferramentas de cura que sejam essencialmente astrológicas dentro da consulta. Quero me afastar da ideia de que, em algum momento, a astrologia "não dá mais" e então precisa ir para a psicologia ou algo assim. Preocupo-me em encontrar, dentro da própria astrologia, todas as respostas.
P: Espero que escreva um livro sobre isso.
R: Tenho vontade, mas é aí que ser um astrólogo empresário atrapalha. Mas posso — e vou! Quero muito fazer isso este ano. Fico empolgadíssimo com tudo isso.
P: Com qual escola do budismo trabalha?
R: Não sei. Tenho uma memória selectiva sobre quando aprendi budismo, e, sinceramente, não me interesso pelas "escolas". O meu professor chama-se Tarab Tulku, e ele não enfatiza escolas — nem mesmo o budismo, na verdade. É como se ele sentisse que as pessoas romantizam a experiência quando se usa a palavra "budismo". Os ensinamentos budistas são muito pragmáticos, muito práticos. Tomei refúgio com Situ Rinpoche em 1981, em Samye Ling, na Escócia — deveria saber, mas já não sei mais, qual escola era. É uma das quatro, isso sei. Talvez Nyingma, ou Gelugpa… mas esse tipo de coisa me desliga completamente quando ouço. Só me interesso em praticar.
P: Sente que a astrologia contém, por si só, os meios para o crescimento espiritual, ou acha que o astrólogo precisa estar envolvido com algum sistema?
R: Definitivamente não acho que a astrologia contenha, por si só, as lições e as raízes espirituais necessárias para te sustentar. Não acho mesmo. E também vejo perigos em acreditar que ela dá conta disso sozinha. Especialmente quando as pessoas entram em áreas esotéricas e hierarquias espirituais, aí acho que elas entram em territórios realmente perigosos.
P: Parece-me que, muitas vezes, as pessoas usam a astrologia como desculpa para permanecerem como são, em vez de usar como agente de mudança. Ouve coisas como: "Ah, mas isso é a minha Vénus em quadratura com Júpiter, entende…"
R: Sim, existem diferentes formas de autoaceitação! Não há desculpa no mapa para mau comportamento. Dito isso, acho que as pessoas precisam aprender a se perdoar. Se raiva é um problema, elas deveriam aprender a dizer: "É isso; raiva é uma das coisas que estou a trabalhar. Não sou perfeito…" Esse tipo de autoaceitação é muito importante. Na transformação de um aspecto difícil, é crucial dizer: "Tenho esse problema, toda a gente tem coisas parecidas, estou a trabalhar nisso." Só isso já reduz o problema pela metade, em vez de se punir o tempo todo.
P: O trabalho que descreve com os clientes parece sugerir que seria necessário ver as pessoas repetidas vezes.
R: Bom, muitos clientes voltam, sim, mas muitos não voltam. Não sou o tipo de pessoa que gosta de trabalhar repetidamente com alguém. Se acho que alguém tem um problema realmente sério, encaminho para um psicólogo. Sou mais "uraniano", no sentido de querer ver quanta magia dá para fazer numa sessão de uma hora e meia a duas horas. Se a pessoa quiser voltar, não quero vê-la de novo antes de pelo menos três meses, isso com certeza. Vejo-me como um catalisador — acho que consigo mudar certas coisas naquela hora e meia. Então, embora ache bonita a ideia de acompanhar repetidamente, não é o meu estilo. E também preciso dizer: não faço esse tipo de trabalho profundo com toda a gente. Não dá com toda a gente, mas tento.
E isso nos leva de volta àquele tema de unificação. Gosto muito de previsão, e acho que existe uma arte e uma habilidade na previsão que foi totalmente marginalizada… é uma área perigosa, sim, mas há formas de fazer isso que são incrivelmente eficazes. Interesso-me por previsão; interesso-me pelas áreas tradicionais da astrologia em que demonstra a eficácia descrevendo a vida das pessoas sem que elas te deem informação alguma. Mas as pessoas também precisam do elemento surpresa na astrologia — aquele choque que desperta a consciência, de ver que a própria vida está em harmonia com o universo, que a vida é uma experiência holística. Perguntou se vejo as pessoas repetidamente: algumas, sim; mas muitas outras só quero oferecer uma experiência astrológica de um jeito mais convencional.
P: Escreve colunas de signo solar?
R: No meu site, sim.
P: Não em jornais?
R: Não, ninguém me pediu! Mas tenho um problema com isso, sabe. Gosto de astrologia de signo solar; acho que é uma habilidade que só alcança quando domina todos os outros ramos da astrologia. Só que, para escrever profissionalmente para uma revista, precisa entregar os textos com um ou dois meses de antecedência… que tédio! Interesso-me pelo que está prestes a acontecer — isso é longe demais para mim. Não acho que diria "não" se alguém me oferecesse £2.000 por mês… mas não acredito que a vida vá me levar nessa direção. E tudo bem, não quero passar todo o meu tempo fazendo isso. Mas acho uma habilidade interessante.
Para mim, astrologia de signo solar é como a horária, no sentido de que as pessoas são representadas pelos planetas. E, quando identifica uma "pessoa" reflectindo o movimento de um planeta — por exemplo, a OTAN. Se diz que a OTAN é como Marte e observa Marte entrando em Libra, e eles ficam a pisar em ovos no Kosovo; depois Marte entra em Escorpião e eles dizem: "Agora vamos acabar com vocês"; então Marte começa a ficar retrógrado, e eles não fazem nada… identificou um comportamento na sociedade, no mundo, que está a ser reflectido pelo movimento de um planeta. E dá para prever a partir disso. Nesse sentido, astrologia de signo solar é, sim, uma arte muito interessante.
Nota: A entrevista foi gravada em 13 de março de 1999, quando circulavam muitos rumores sobre uma intervenção da OTAN no Kosovo. Os bombardeios aéreos da OTAN começaram em 24 de março; por isso, à primeira vista, o comentário de Adrian sobre a OTAN recuar diante do conflito parece errado. E, no entanto… Marte ficou retrógrado em 20 de março, quatro dias antes do início dos bombardeios, e voltou ao movimento directo em 5 de junho, cinco dias antes de a OTAN suspender os ataques. Assim, o ponto principal dele — de que haveria uma conexão entre o movimento aparente de Marte no céu e a acção militar da OTAN — na verdade encaixa-se bem nos factos. Isso ilustra os desafios que um astrólogo enfrenta ao fazer previsões: a menos que esteja certo em cada detalhe, uma previsão bastante correcta pode ser completamente derrubada por um único factor.
P: Acha que é significativo o bastante olhar o seu próprio mapa — ou o dos clientes — pela ótica da astrologia de signo solar?
R: Não, não acho. É uma forma superficial, útil até certo ponto, de lidar com as coisas. Quando está com um cliente, provavelmente é sensato ter o signo solar dele em mente, porque os signos solares são subestimados demais hoje em dia. Sabe, qualquer pessoa que seja de Escorpião provavelmente notou certos desafios nos relacionamentos agora que Saturno entrou em Touro — falando bem de modo geral. Dá para usar essa abordagem até um certo nível… e depois ela simplesmente desmorona. Mas é interessante.
P: A Christeen Skinner, na entrevista dela, disse que vê uma das funções dela como enfatizar para as pessoas a qualidade do signo solar; ela acredita que, muitas vezes, a Lua domina o Sol.
R: Sim, isso é verdade. Só que é um pouco diferente do que estava a dizer — a ideia de que o Sol é a sua identidade essencial, provavelmente o seu caminho para o divino — e que, quanto mais se encontra, mais toca algo além de si mesma… luz.
P: O que considera os seus maiores sucessos no seu trabalho astrológico?
R: Interiormente ou exteriormente?
P: Os dois.
R: Bom, acho que a minha escola de astrologia foi um grande sucesso. Era uma forma de mostrar que a astrologia funciona — e de mostrar o quanto isso é electrizante para quem participa, essa capacidade de ver. Mas acho que o meu maior sucesso é o WOW, porque já vendeu mais de 100.000 CDs em dez idiomas até agora — e, com isso, chegou a pessoas comuns. Recebo tantas cartas, e-mails e ligações em que as pessoas dizem: "isso é um software incrível". E elas nem conheciam astrologia direito; só querem dizer que aquilo as impressionou. Fico impressionado quando ouço isso! Não sei se, olhando para trás, vou considerar isso o grande sucesso… mas acho que é o mais influente.
P: E leituras específicas, ou previsões? Sei que previu o divórcio da Diana (ou "mudança de status", como colocou) no seu livro (Doing Time on Planet Earth)…
R: Bom, qualquer um poderia ter previsto isso. Mas era delicado — como dizer o que ia acontecer sem ofender. Gosto dessa expressão, "mudança de status". Tenho muitas previsões correctas vindas de consultas. Provavelmente tenho várias erradas também. Mas algumas das correctas são, às vezes, absolutamente espantosas. Uso o mapa da consulta — e não consigo recomendar isso com força suficiente — porque ele transforma a consulta de uma explicação meio vaga e erudita em algo extremamente preciso, como um laser.
Teve um homem que veio… e uma das coisas que quem estuda horária tradicional diz é: "concentre-se apenas na pergunta". No mapa da consulta, não faz isso. Pode fazer qualquer pergunta para aquele mapa. O mapa fala; o que ele quer te dizer? Esse homem tinha uma filha que não conseguia ter filhos. No mapa da consulta, a Lua estava em Câncer na 5ª casa — e ele dizia que a filha não podia ter filhos! A Lua ia fazer trígono com o Sol em Peixes; disse: "ela vai ter filhos". Ele respondeu: "não, fisicamente, ela não pode ter filhos". Disse: "ela vai ter um filho em um ano" — porque o aspecto não estava longe. Ele era um grande empresário na Dinamarca. E aconteceu. Ele ficou chocado — e isso foi muito bom para os negócios.
É absolutamente seguro: se vê no mapa da consulta, independentemente do que apareça em progressões ou qualquer outra coisa. O que é realmente seguro é o mapa da consulta.
P: Feito para o momento em que o cliente entra pela sua porta?
R: Sim, o momento do encontro com o cliente. Não é tão surpreendente assim. O ponto todo da astrologia é que ela funciona o tempo todo. Não precisa de uma "consulta" para ter um mapa de consulta; só precisa de um acontecimento, um encontro. Em qualquer momento, tudo no ambiente está a gritar para si o que está a acontecer agora — e o que vai acontecer. Essa é a grande beleza da horária (se quiser chamar assim) — é a astrologia do agora. E, nesse sentido, não é algo "tradicional"; é algo iluminador, é o mais perto que chega da essência do instante. Está a viver no agora — isso é a horária.
P: Acho justo dizer que a maioria das pessoas que praticam horária hoje diria que precisa conhecer todas as regras tradicionais…
R: Como assim? Como alguém consegue? Como se lembra de todas essas regras? A novidade é: não precisa. Não precisa saber todas, porque elas nunca se repetem do mesmo jeito, de qualquer forma. Claro, é bom ter experiência. Precisa saber as regras básicas. Precisa saber, por exemplo, que o Ascendente representa a pessoa que acabou de te procurar. Mas não precisa decorar um oceano de aforismos… não faz mal saber, mas não é obrigatório. O próprio mapa normalmente está a dizer onde olhar.
P: Acha que pessoas diferentes podem usar métodos astrológicos diferentes e, ainda assim, todos serem igualmente válidos?
R: Parece que sim. Mas há uma consequência muito importante nisso. Se for assim, é essencial que as pessoas concordem numa visão geral — caso contrário, vai ter uma proliferação de visões desconectadas, e ninguém vai conseguir se orientar. Então por que não (e é isso que faço com o WOW) trabalhar com métodos geralmente aceites; o sistema de casas geralmente aceite, os planetas geralmente aceites… se isso funciona, vamos fazer com que o máximo de pessoas possível use isso. Porque aí a astrologia ganha força. Enquanto ela estiver dividida em várias visões incompatíveis, ela nunca vai ter poder. Essa é a minha visão para o século XXI. Quanto mais pessoas abraçam uma visão, mais força ela ganha. É efeito bola de neve. Se a astrologia quer realmente influenciar, ela precisa pensar nesses termos.
P: Acredita mesmo que a astrologia vai passar por uma mudança significativa de status nos próximos cem anos, mais ou menos?
R: Escolhi acreditar nisso!
P: Até onde acha que isso pode chegar?
R: Acho que pode ir bem longe; as pessoas vão considerar natural viver a vida em harmonia com os movimentos dos planetas. Sei que há perspectivas boas e ruins nisso, mas acho que o resultado será melhor do que a visão científica/materialista predominante, que é muito pouco ecológica e tem consequências péssimas para o meio ambiente. A questão crucial da astrologia — e da ideia de estar em harmonia com a natureza, com os planetas — é que isso é ecológico e, portanto, tende a ser menos destrutivo.
P: Tem algum método para escolher números de loteria?
R: (rindo) Não! A gente vai terminar isso lá em cima, né? Não. Acho que precisaria do mapa para isso.
P: Vai que um dia alguém diga: "Sim — toma aqui", e não precise mais trabalhar para viver! Uma experiência que teve e que imagino que poucos astrólogos tenham é a de viver noutra cultura (ainda que no Ocidente), na Dinamarca. Quão diferente é a abordagem da astrologia lá?
R: Quando cheguei lá, eles tinham um sistema especial de rectificação do mapa, chamado sistema Kündig. Metade usava, metade não — e havia uma divisão enorme; dava para dizer que se odiavam. Uma das melhores escolas da Dinamarca ainda ensina esse sistema Kündig — que, para mim, é só uma ideia, uma teoria. Eles obtêm resultados com isso — porque, veja, quando acredita em algo, parece funcionar. Então, na minha escola, tinha pessoas que usavam o Kündig e pessoas que não usavam. Não achava que isso importava. O que importa mesmo é como comunica o que sabe, e se consegue fazer isso de forma eficaz. Coisas como o sistema de rectificação Kündig importam um pouco, mas não deixaria que isso importasse demais.
Havia essa divisão e, ainda assim, durante os dezanove anos em que estive lá, as pessoas conviveram e desenvolveu-se um respeito mútuo forte. Sem dúvida, a Dinamarca é cheia de astrólogos entusiasmados — e alguns muito talentosos. Especialmente no campo da horária dinâmica. Pessoas como Johan Hjelmborg e a esposa dele, Louise Kirsebom — eles provavelmente são os melhores do mundo.
P: O que é "horária dinâmica"?
R: É simplesmente diferente da horária tradicional inglesa. É essa percepção do mapa como algo em movimento — o Ascendente estava em 2 graus, agora está em 3; um planeta que estava na cúspide da 12ª casa agora caiu na 11ª. Vê que tudo está em movimento no mapa, e acho que isso é uma forma mais eficaz de trabalhar a horária do que tratá-la como algo estático.
P: E quanto à atitude da sociedade em geral em relação à astrologia?
R: Muito mais aberta, acho. É um país de cinco milhões de pessoas; eles são mais inclusivos. Não podem se dar ao luxo de ser o contrário. Até punks — eles dizem: "bom, ele já já volta para a sociedade". É um clima muito bom; fiquei impressionado. É o tipo de lugar em que entra para falar com o gerente do banco e diz: "Olha, quero comprar um computador para praticar astrologia", e ele responde: "Faz o meu mapa, por favor?"
P: Isso aconteceu consigo?
R: Não, não aconteceu. Mas eles me emprestaram bastante dinheiro para começar, sem garantia.
P: Envolve-se com astrologia empresarial?
R: Gosto. Tenho muito interesse em astrologia empresarial, em astrologia mundana e financeira. Mas interesso-me mais por pessoas. Se astrologia empresarial significa lidar com pessoas dentro de empresas sem que possa encontrá-las… simplesmente não me interesso. É algo pessoal. Então atendo muitos directores e CEOs — e acho que esse é um jeito bem mais eficaz de fazer isso também. Entendo a preocupação das pessoas com seleccionar [gente para empregos] pela astrologia; dá para errar, não dá? Mas… empresários também podem ser chatos. Não é comum ver um empresário trabalhando as próprias dinâmicas internas.
Uma coisa que me entristece hoje é a marginalização da astrologia. Acho que a maioria dos astrólogos é incrivelmente talentosa, incrivelmente dedicada, e são, no geral, pessoas muito boas (não muito materialistas, preocupadas com a vida espiritual etc.). E, mesmo assim, essas pessoas com habilidades tão incríveis estão a lutar para sobreviver. Isso me incomoda. Quero ver astrólogos bem pagos. Quero ver astrólogos com uma vida normal, trabalhando com aquilo que amam — não trabalhando como secretários, em fábricas, ou seja lá onde for, sem poder desenvolver os próprios talentos. Se não está a dedicar-se 100% à astrologia… bom, iria a um médico meio período? Essa é uma das minhas grandes motivações: criar um ambiente onde haja trabalho para astrólogos, onde eles possam comprar um carro e viver como qualquer pessoa. Consegui fazer isso pessoalmente, então isso é um tipo de sucesso — mas não conseguiria aceitar de outro modo. Nos anos 80 era muito pobre, mais do que pode imaginar. Tendo passado por isso, acredito que o ambiente vai melhorar para astrólogos — especialmente com a internet.
P: Como se sente sendo editor do AA Journal?
R: Tem sido um prazer. É um prazer enorme ver um artigo pronto e bem-feito. É um prazer enorme quando chega um artigo bom. Com um artigo bom até arrepio. Então, desde que o material seja bom, é um serviço prazeroso. Também vejo isso, em parte, como uma introdução muito útil à Grã-Bretanha, vindo da Dinamarca. Mas também é um serviço, sim. Sempre fiz alguma coisa pela comunidade astrológica — sempre dediquei um tempo a isso. Até agora não tem sido difícil. Mas coisas desagradáveis podem acontecer. Fico chocado com a agressividade que às vezes existe ali, por baixo da superfície, com pessoas colocando o orgulho pessoal acima de tudo — deixando de lado o bem-estar da comunidade astrológica britânica. Não gostaria de ser puxado para esse tipo de coisa. Então sei que é um campo minado, mas estou a ignorar completamente. Se vir uma mina prestes a explodir, simplesmente saio do ambiente. Enquanto isso, vou seguindo com leveza até me meter em encrenca. Imagino que a encrenca não esteja longe!
Não gosto de gente que se leva tremendamente a sério. Na Grã-Bretanha, as pessoas preocupam-se muito com a probidade, a integridade, a imagem da astrologia. Não sou a pessoa para cuidar dessa área. Sou um cara irreverente, brincando de ser editor do Astrological Association Journal!
P: Às vezes acontece de um astrólogo ver outro praticando de um jeito diferente e encarar isso como crítica ou desafio — como se existisse apenas um jeito certo, e então os "hereges" precisassem ser atacados e convertidos. Mas se existem abordagens diferentes que são válidas para pessoas diferentes, toda a gente pode coexistir.
R: Sim, acho que precisa haver respeito entre colegas. Mas, pessoalmente, acredito que é melhor divulgar uma astrologia mais "mainstream", mais central. Essa é a minha visão.
P: Isso me lembra a entrevista com Nick Campion, em que ele observa que às vezes consegue uma leitura certa a partir de um mapa errado — mas que isso não é necessariamente algo útil de dizer aos estudantes!
R: Acho que o Nick gosta de dizer esse tipo de coisa… mas consegue uma leitura absurdamente certa a partir de um mapa certo! Às vezes isso é meio uma pegadinha. Lembro-me de uma leitura que fiz alguns meses atrás em que o nodo sul estava na 12ª casa, em conjunção com Saturno (que regia a 7ª) em Câncer. A mulher sentia um peso enorme vindo da mãe do marido. Foi uma parte crucial da consulta, mas depois, quando cheguei em casa, percebi que tinha calculado o mapa errado, e o nodo estava na 11ª. Só penso: "Bom… às vezes os deuses não querem que ache que está com tudo sob controle".
P: Por fim, quais são os seus planos para o futuro?
R: Gostaria de escrever sobre as minhas experiências na escola de astrologia. Estou a tentar encontrar um ambiente tranquilo para fazer isso — sem sucesso até agora. Sei que, se quisesse apenas felicidade, era isso o que faria. Espero que faça. Mas o meu próximo plano tem a ver com a internet. Vejo, em cinco anos, um ambiente bem utilizável na internet, com áudio e vídeo. No momento, estou a negociar com astrólogos de Bristol, Londres e Dinamarca para criar uma rede mundial de astrólogos dando aconselhamento online. Isso vai divulgar a utilidade da astrologia e elevar a consciência sobre o quanto ela está disponível. E também vai gerar trabalho para astrólogos. Há muitos que adorariam fazer esse trabalho e poderiam ganhar bem com isso. Tem gente demais no mundo. Se consegue juntar essas pessoas, isso pode ter um efeito muito profundo no século XXI. É nisso que estou a trabalhar.
