{"id":3839,"date":"2026-05-26T09:52:56","date_gmt":"2026-05-26T08:52:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.astrowow.com\/blog\/?p=3839"},"modified":"2026-05-26T09:52:56","modified_gmt":"2026-05-26T08:52:56","slug":"o-caso-contra-a-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.astrowow.com\/blog\/pt-br\/o-caso-contra-a-realidade\/","title":{"rendered":"O caso contra a realidade"},"content":{"rendered":"<p>Existe uma teoria em circula\u00e7\u00e3o \u2013 formulada h\u00e1 alguns mil\u00eanios \u2013 de que a Terra foi, em certo momento, um vazio escuro e sem forma do qual a luz brotou. Isso era bom. Havia noite e dia, havia \u00e1gua e terra firme, e isso tamb\u00e9m era bom. Para a luz do dia, o Sol foi criado, e a Lua para a noite. Isso foi no quarto dia, e no sexto dia Deus havia criado todos os seres vivos, sobretudo n\u00f3s. No s\u00e9timo dia Ele descansou. Deve ter sido um domingo. (Nota 1) Segundo alguns criacionistas crist\u00e3os, isso aconteceu h\u00e1 menos de 10.000 anos, mas eles podem estar enganados.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os cientistas de hoje se entret\u00eam com uma variedade de teorias complexas sobre evolu\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia, que nascem da relatividade, da f\u00edsica qu\u00e2ntica e da teoria das cordas. Eles prop\u00f5em universos m\u00faltiplos, causalidade retroativa (em que o futuro influencia o passado), informa\u00e7\u00e3o (em vez de mat\u00e9ria\/energia) como subst\u00e2ncia universal \u2013 fica complicado. Mas a maioria concorda que o nosso universo foi criado h\u00e1 13,8 bilh\u00f5es de anos, e muita coisa aconteceu no tempo decorrido desde ent\u00e3o.<\/p>\n<h3>O besouro-joia<\/h3>\n<p>Preciso confessar de imediato que o t\u00edtulo deste artigo foi roubado do livro hom\u00f4nimo de Donald Hoffman. Vale a pena conferir sua palestra no TED sobre como a evolu\u00e7\u00e3o favorece n\u00e3o ver a realidade como ela \u00e9, mas ver a realidade como aquilo que \u00e9 \u00fatil saber. (Nota 2) Como exemplo, ele menciona o besouro-joia australiano. A f\u00eamea do besouro n\u00e3o voa e tem uma superf\u00edcie marrom brilhante com pequenas sali\u00eancias. Infelizmente, o macho humano australiano gosta de cerveja, que vem em garrafas marrons brilhantes com pequenas sali\u00eancias. Para o besouro-joia macho, \u00e9 f\u00e1cil localizar essas garrafas jogadas no interior \u00e1rido, e ele passa a acasalar com elas. Afinal, \u00e9 muito mais f\u00e1cil, e as garrafas tampouco tentam se esquivar. O problema \u00e9 que o besouro quase foi extinto. Nenhum besouro-garrafa foi criado. O governo australiano teve de proibir completamente esses recipientes para salvar o besouro da garrafa. (Nota 3)<\/p>\n<p>A quest\u00e3o aqui \u00e9 que esses besouros, que se reproduziram com sucesso por incont\u00e1veis milhares de anos, foram amea\u00e7ados quando aquilo que tinha sido \u00fatil saber deixou de ser suficiente. Se a vis\u00e3o, o tato ou o olfato os tivessem guiado, tudo bem \u2013 mas h\u00e1 outra coisa em jogo. A evolu\u00e7\u00e3o nos d\u00e1 uma interface que nos guia rumo \u00e0 sobreviv\u00eancia. Quando a garrafa de cerveja apareceu, a interface foi hackeada.<\/p>\n<p>Que o mundo nos aparecesse exatamente como \u00e9 seria avassalador \u2013 como ver toda a eletr\u00f4nica dentro de um computador quando s\u00f3 precisamos saber como escrever um documento no Word. Interagimos com a interface, n\u00e3o com a realidade mais profunda. E nossa intera\u00e7\u00e3o se d\u00e1 apenas na medida do necess\u00e1rio.<\/p>\n<h3>O esgotamento da ilumina\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Essa ideia foi expressa no Bhagavad Gita, uma escritura hindu de cerca de 200 a.C. O deus Krishna era o cocheiro de seu disc\u00edpulo Arjuna, e Arjuna implorou a Krishna que revelasse sua verdadeira natureza \u2013 &#8220;Torna-te vis\u00edvel, Senhor de todas as preces!&#8221;. E Krishna o fez: &#8220;De repente, nos c\u00e9us, a explos\u00e3o de mil s\u00f3is&#8221;. Foi uma experi\u00eancia avassaladora para Arjuna que \u2013 ap\u00f3s testemunhar Krishna em sua forma divina \u2013 implora que ele retorne \u00e0 sua forma terrena: &#8220;Querido Senhor. Por piedade, tua forma terrena, que olhos terrenos possam suportar; s\u00ea misericordioso e mostra o semblante que conhe\u00e7o.&#8221; (Nota 4)<\/p>\n<p>Se testemunh\u00e1ssemos a realidade como ela realmente \u00e9, e n\u00e3o como a interface que evolu\u00edmos para utilizar, n\u00e3o conseguir\u00edamos suportar. Talvez seja por isso que, na tradi\u00e7\u00e3o budista, n\u00e3o se alcan\u00e7a a ilumina\u00e7\u00e3o sem a transmiss\u00e3o por meio de um mestre e da linhagem desse mestre, ou por que Cristo disse &#8220;Eu sou o caminho\u2026 ningu\u00e9m vem a Deus sen\u00e3o por mim&#8221;. (Nota 5)<\/p>\n<p>Para navegar pelo tecido da realidade, evolu\u00edmos ao longo de milh\u00f5es de anos para perceber, por meio dos nossos sentidos, aquilo que precisamos saber para sobreviver: vis\u00e3o, tato, audi\u00e7\u00e3o, olfato e paladar. Mas n\u00e3o \u00e9 que de fato vejamos, sintamos, ou\u00e7amos, cheiremos ou provemos o que est\u00e1 ali. Experimentos mostram que extra\u00edmos informa\u00e7\u00e3o daquilo que pensamos perceber, e erramos com facilidade.<\/p>\n<p>Nossos olhos t\u00eam 130 milh\u00f5es de fotorreceptores \u2013 cerca de 10 vezes mais potentes do que a c\u00e2mera de um iPhone \u2013, mas os sinais enviados em seguida ao c\u00e9rebro s\u00e3o processados por bilh\u00f5es de neur\u00f4nios e trilh\u00f5es de sinapses. O que eles est\u00e3o fazendo? Est\u00e3o criando, em tempo real, aquilo que precisamos ver para sobreviver da melhor forma. \u00c0 medida que nossos olhos percorrem a cena diante de n\u00f3s, criamos exatamente o que precisamos saber conforme eles se movem. Um ter\u00e7o do nosso c\u00f3rtex \u00e9 dedicado apenas a essa tarefa. Os cineastas t\u00eam profunda consci\u00eancia disso e usam a menor quantidade poss\u00edvel de elementos visuais para nos seduzir para dentro de sua realidade cinematogr\u00e1fica.<\/p>\n<p>Experimentos neurocient\u00edficos mostraram que toda experi\u00eancia \u00e9 constru\u00edda em tempo real pelo c\u00e9rebro. Por exemplo, quando algu\u00e9m perde um bra\u00e7o, o c\u00e9rebro ainda mant\u00e9m uma representa\u00e7\u00e3o exata dos dedos, e as sensa\u00e7\u00f5es que estariam nos dedos s\u00e3o transferidas para alguma \u00e1rea do corpo, como o ombro ou o rosto. \u00c9 por isso que os amputados sofrem dores reais em membros amputados \u2013 o fen\u00f4meno conhecido como membro fantasma.<\/p>\n<h3>Morrer<\/h3>\n<p>Como os seres humanos evolu\u00edram com o mesmo aparato sensorial, todos concordamos sobre o que vemos, ouvimos e sentimos. Aqueles que viam uma cascavel e a achavam algo para pegar e brincar foram extintos h\u00e1 muito tempo. Morrer \u00e9 a perda desse aparato sensorial e a dissolu\u00e7\u00e3o de uma sensa\u00e7\u00e3o ilus\u00f3ria de um eu.<\/p>\n<p>Segundo os ensinamentos budistas, quando morremos, cada um dos sentidos se desfaz na seguinte ordem:<\/p>\n<ul>\n<li>A sensa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, correspondente ao elemento Terra, quando a for\u00e7a deixa o corpo.<\/li>\n<li>As emo\u00e7\u00f5es, ligadas ao prazer, \u00e0 dor ou \u00e0 indiferen\u00e7a, correspondentes ao elemento \u00c1gua, se esvaem.<\/li>\n<li>O calor, correspondente ao elemento Fogo, desaparece, afetando a mem\u00f3ria e o olfato.<\/li>\n<li>A respira\u00e7\u00e3o, correspondente ao elemento Ar, deixa o corpo com a perda da consci\u00eancia do mundo exterior.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Sistemas religiosos como o budismo, o islamismo e o catolicismo descrevem uma experi\u00eancia de purgat\u00f3rio que surge ent\u00e3o ap\u00f3s a morte. Porque, enquanto est\u00e1vamos vivos, o c\u00e9rebro calibrava cuidadosamente a experi\u00eancia sensorial \u2013 as coisas n\u00e3o eram brilhantes demais, nem altas demais, nem pesadas demais \u2013 e, agora que o c\u00e9rebro est\u00e1 fora de opera\u00e7\u00e3o, morrer pode ser bastante aterrorizante, j\u00e1 que as experi\u00eancias sensoriais s\u00e3o geradas apenas por processos mentais, num estado em que o tempo linear j\u00e1 n\u00e3o existe. Pode ser o c\u00e9u e pode ser o inferno. Se, em vida, nossa mente est\u00e1 preocupada com pensamentos negativos, ent\u00e3o a experi\u00eancia ap\u00f3s a morte \u00e9 correspondentemente assustadora, e vice-versa.<\/p>\n<h3>Renascimento<\/h3>\n<p>No budismo, ensina-se que, ao fim da experi\u00eancia ap\u00f3s a morte, ocorre o renascimento. A maioria dos astr\u00f3logos se sente atra\u00edda por essa ideia, sobretudo porque o hor\u00f3scopo de nascimento \u00e9 t\u00e3o descritivo do car\u00e1ter e, por consequ\u00eancia, do destino, e porque esse car\u00e1ter j\u00e1 est\u00e1 presente em sua ess\u00eancia no nascimento. Os psic\u00f3logos \u2013 que perderiam credibilidade se abra\u00e7assem oficialmente a reencarna\u00e7\u00e3o \u2013 t\u00eam dificuldade em explicar como o car\u00e1ter se desenvolveu, recorrendo a argumentos de natureza e cria\u00e7\u00e3o, \u00e0 gen\u00e9tica e \u00e0 influ\u00eancia dos pais. Aqueles que acreditam na reencarna\u00e7\u00e3o veem uma continuidade, em que a consci\u00eancia individual gravita, ao fim de uma fase de purgat\u00f3rio, em dire\u00e7\u00e3o a uma figura materna e paterna mais adequada \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es passadas e \u00e0 sua trajet\u00f3ria futura. Como nossas a\u00e7\u00f5es impactam a realidade a cada instante, h\u00e1 consequ\u00eancias que conhecemos como carma. Os budistas acreditam que o impacto do nosso comportamento cria impress\u00f5es no tecido da realidade. No renascimento, enfrentamos a consequ\u00eancia desse impacto e somos novamente atra\u00eddos para as pessoas e os ambientes que antes impactamos.<\/p>\n<h3>Consci\u00eancia individual<\/h3>\n<p>Como seres humanos, filtramos o tecido da realidade atrav\u00e9s dos nossos sentidos. Mas, como indiv\u00edduos, modificamos at\u00e9 mesmo essa representa\u00e7\u00e3o limitada da realidade por meio do nosso car\u00e1ter \u2013 um car\u00e1ter que est\u00e1 claramente mapeado no hor\u00f3scopo pessoal. Criamos mais uma camada de significado pessoal, tingida por emo\u00e7\u00f5es e associa\u00e7\u00f5es moldadas por padr\u00f5es planet\u00e1rios, que \u00e9 uma sobreposi\u00e7\u00e3o sobre aquilo que, de qualquer forma, j\u00e1 era apenas uma interpreta\u00e7\u00e3o limitada da realidade.<\/p>\n<p>Por exemplo, se algu\u00e9m tem uma conjun\u00e7\u00e3o Lua-Plut\u00e3o na 4\u00aa casa, sua seguran\u00e7a emocional ter\u00e1 sido minada pela ansiedade originada da m\u00e3e e do ambiente dom\u00e9stico. Isso afetar\u00e1 o comportamento posterior: uma tend\u00eancia a sabotar a harmonia dom\u00e9stica, a desenraizar-se e mudar de lugar, a relutar em formar v\u00ednculos \u2013 todo um espectro de comportamentos que afetam o destino. Se a conjun\u00e7\u00e3o Lua-Plut\u00e3o estivesse em Escorpi\u00e3o, as correntes sexuais subjacentes seriam fortes, levando a uma repress\u00e3o de mem\u00f3rias e a medos irracionais ou inconscientes que afetam o comportamento. Plut\u00e3o em cada signo mostraria modifica\u00e7\u00f5es nas variadas interpreta\u00e7\u00f5es da experi\u00eancia, dependendo das tend\u00eancias coletivas no momento do nascimento.<\/p>\n<h3>Os planetas filtram a experi\u00eancia<\/h3>\n<p>Como astr\u00f3logos, trabalhamos com essas modifica\u00e7\u00f5es personalizadas da experi\u00eancia sensorial, t\u00e3o claramente refletidas por planetas, signos, aspectos e casas. Cada planeta tanto nos protege da energia ardente do Sol quanto nos apresenta uma oportunidade de ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Merc\u00fario \u00e9 o mestre da ilus\u00e3o, tecendo ora para um lado, ora para o outro, nunca se afastando muito do Sol. Para apreender a verdade, tudo o que temos \u00e9 a nossa mente, mas Merc\u00fario oculta tanto quanto revela, porque os pensamentos e a identidade (o Sol) est\u00e3o t\u00e3o entrela\u00e7ados que n\u00e3o conseguimos separ\u00e1-los. A verdade n\u00e3o pode ser apreendida pela an\u00e1lise racional. Precisamos aquietar a mente para nos aproximarmos da luz.<\/p>\n<p>Todas as impress\u00f5es que chegam do nosso aparato sensorial s\u00e3o imediatamente processadas pela mente \u2013 Merc\u00fario. Na verdade, por\u00e9m, \u00e9 prov\u00e1vel que seja o contr\u00e1rio: nossa mente &#8220;emite um sinal&#8221; para o mundo exterior, assim como um golfinho usa o sonar, e depois processa o resultado. A energia segue o foco, e o nosso foco \u00e9 o nosso sinal.<\/p>\n<p>Uma vez processado o resultado, fazemos uma de tr\u00eas coisas. Ou gostamos, ou n\u00e3o gostamos, ou somos indiferentes. \u00c9 isso que V\u00eanus faz. No espa\u00e7o de um milissegundo, nossas prefer\u00eancias filtram a experi\u00eancia como se f\u00f4ssemos um aplicativo do Tinder.<\/p>\n<p>A atra\u00e7\u00e3o entre os seres existe primordialmente para gerar descend\u00eancia. H\u00e1 alguns fatores evolutivos universais nesse processo de filtragem; pesquisas mostram, por exemplo, que, na escolha de um parceiro humano, o tamanho e a nitidez das pupilas e da \u00edris s\u00e3o cruciais. Da\u00ed a maquiagem para os olhos. \u00c9 a posi\u00e7\u00e3o de V\u00eanus por signo e seus aspectos que passam ent\u00e3o a modificar nossas escolhas. Se V\u00eanus est\u00e1 em Sagit\u00e1rio, \u00e9 um ponto a favor que o potencial parceiro seja s\u00e1bio e experiente \u2013 um mestre, talvez. Esse \u00e9 um crit\u00e9rio evolutivo positivo. Se V\u00eanus, ent\u00e3o, est\u00e1 em tr\u00edgono com Saturno em Le\u00e3o, um pouco de status ou fama seria a cereja do bolo.<\/p>\n<p>Uma vez decidido o que gostamos, n\u00e3o gostamos ou nos \u00e9 indiferente, dispomo-nos a agir de acordo. Adquirir o objeto do desejo, ou combater uma amea\u00e7a, \u00e9 a tarefa de Marte. Como nos dispomos a fazer isso se reflete na posi\u00e7\u00e3o de Marte por signo e nos aspectos que ele forma. Se fixamos a mira em um mestre famoso, e Marte est\u00e1 em Escorpi\u00e3o, podemos empregar estrat\u00e9gias ocultas para atrair essa pessoa para o nosso campo magn\u00e9tico, para ent\u00e3o seduzi-la e minar obsessivamente nossos rivais. Se Marte e Urano formam um aspecto estreito entre si, podemos at\u00e9 destruir nossos amantes caso eles mais tarde se revelem infi\u00e9is.<\/p>\n<p>As cren\u00e7as que escolhemos abra\u00e7ar tornam-se muito caras para n\u00f3s e definem nossa identidade. J\u00fapiter, com suas quatro luas imensas (e 75 luas menores), filtra todos os nossos pensamentos e sentimentos processados pela Lua e pelos planetas interiores, e provavelmente refinados pelos milhares de asteroides intermedi\u00e1rios, para coagular em torno de um conjunto de convic\u00e7\u00f5es das quais raramente nos afastamos. J\u00fapiter em Escorpi\u00e3o em quadratura com Plut\u00e3o em Le\u00e3o inclinaria uma pessoa a sentir que vive num mundo governado por for\u00e7as poderosas e sombrias. Talvez ela abrace uma teoria da conspira\u00e7\u00e3o de que democratas influentes fazem parte de uma rede de pedofilia. Tente argumentar contra isso. Abandonar uma cren\u00e7a leva a uma crise de identidade, porque o estado de esp\u00edrito invocado por J\u00fapiter n\u00e3o consegue contemplar facilmente a possibilidade de estar errado.<\/p>\n<p>O \u00faltimo planeta vis\u00edvel, Saturno, representa as limita\u00e7\u00f5es que estabelecem as fronteiras das nossas experi\u00eancias de vida. Em um n\u00edvel inconsciente, essas s\u00e3o as leis c\u00e1rmicas que ditam quem precisamos encontrar para acertar o balan\u00e7o c\u00f3smico. Sente-se como uma convic\u00e7\u00e3o interior do que podemos e do que n\u00e3o podemos fazer, muitas vezes ditada pelas circunst\u00e2ncias predominantes na sociedade. Saturno em Aqu\u00e1rio poderia indicar algu\u00e9m nascido numa \u00e9poca de responsabilidade social, de modo que as a\u00e7\u00f5es ser\u00e3o sempre medidas, de forma altru\u00edsta, em rela\u00e7\u00e3o ao que beneficia a comunidade. Se Saturno est\u00e1 em quadratura com Urano em Touro, lidar com a gan\u00e2ncia ego\u00edsta disfar\u00e7ada de liberdade individual seria um grande desafio.<\/p>\n<p>As descobertas relativamente recentes de Urano, Netuno e Plut\u00e3o tamb\u00e9m correspondem a \u00e1reas da psique humana. Urano abriu novas dimens\u00f5es do espa\u00e7o por meio do telesc\u00f3pio, do microsc\u00f3pio e do voo. Netuno expandiu o mundo da imagina\u00e7\u00e3o por meio do cinema e o mundo da compaix\u00e3o por meio dos hospitais e dos sindicatos. Plut\u00e3o revelou os mundos ocultos do \u00e1tomo e da radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica, e abriu novos horizontes psicol\u00f3gicos. Cada descoberta no mundo exterior tem uma correspond\u00eancia no interior e, na realidade, n\u00e3o h\u00e1 separa\u00e7\u00e3o entre os dois, porque nunca houve. \u00c9 apenas a consci\u00eancia individual que cria a separa\u00e7\u00e3o entre sujeito e objeto.<\/p>\n<h3>Uma abordagem direta<\/h3>\n<p>A intrincada teia de padr\u00f5es astrol\u00f3gicos num hor\u00f3scopo pode descrever o car\u00e1ter e o destino individuais de cada pessoa na Terra, com todas as varia\u00e7\u00f5es sutis que tornam cada um de n\u00f3s t\u00e3o \u00fanico. Todos t\u00eam sua parcela de desafios e b\u00ean\u00e7\u00e3os. Embora possa parecer que nos afastamos cada vez mais da ilumina\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que descemos pelo v\u00f3rtice de cada combina\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria, a jornada talvez seja mais circular do que linear.<\/p>\n<p>Como met\u00e1fora, voc\u00ea pode imaginar todas as dimens\u00f5es da realidade indo do Big Bang \u00e0s gal\u00e1xias, estrelas, planetas, mol\u00e9culas, \u00e1tomos, part\u00edculas \u2013 mas, no n\u00edvel da teoria das cordas, todas est\u00e3o novamente conectadas numa circularidade, porque a mesma energia est\u00e1 em seu n\u00facleo. Ao trabalhar com o hor\u00f3scopo, os padr\u00f5es de comportamento mostrados por planetas e aspectos s\u00e3o uma modula\u00e7\u00e3o da energia original que vem do est\u00edmulo sensorial. Em vez de ver o comportamento como um problema, voc\u00ea pode v\u00ea-lo como uma manifesta\u00e7\u00e3o de energia. Uma consci\u00eancia clara do pr\u00f3prio comportamento fornece a energia para voltar a uma fonte iluminada.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica para fazer isso consiste em acolher as sensa\u00e7\u00f5es ligadas ao comportamento desejado ou indesejado. Elas ser\u00e3o algum tipo de sensa\u00e7\u00e3o corporal. Diante de um aspecto dif\u00edcil como, digamos, Lua-Saturno, a pessoa pode descrever que se sente &#8220;deprimida&#8221;. Mas essa \u00e9 uma palavra que descreve a sensa\u00e7\u00e3o de sentir-se pesado em algum lugar do corpo. A sensa\u00e7\u00e3o de peso no corpo \u00c9 a energia de Saturno. Ao explorar e aprofundar as sensa\u00e7\u00f5es, a energia revelar\u00e1 sua verdadeira natureza, que \u00e9 iluminadora, e n\u00e3o deprimente. Lidar com as energias essenciais dos padr\u00f5es astrol\u00f3gicos por meio da consci\u00eancia corporal \u00e9 uma experi\u00eancia transformadora. \u00c9 alquimia \u2013 transformar chumbo (Saturno) em ouro (o Sol) e retornar, em c\u00edrculo, ao ponto de partida.<\/p>\n<p>Adrian Ross Duncan<br \/>\n16 de abril de 2021<\/p>\n<p>Nota 1: Confira G\u00eanesis 1-31. N\u00e3o estou inventando.<br \/>\nNota 2: Donald Hoffman: https:\/\/youtu.be\/oYp5XuGYqqY<br \/>\nNota 3: Veja o besouro-joia no YouTube: https:\/\/youtu.be\/UMy5-X_wRBQ<br \/>\nNota 4: Bhagavad Gita, cap\u00edtulo 11.<br \/>\nNota 5: Novo Testamento, Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o 14:6.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma teoria em circula\u00e7\u00e3o \u2013 formulada h\u00e1 alguns mil\u00eanios \u2013 de que a Terra foi, em certo momento, um vazio escuro e sem forma do qual a luz brotou. Isso era bom. Havia noite e dia, havia \u00e1gua e terra firme, e isso tamb\u00e9m era bom. 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